segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Viajar é preciso! Dar significado, mais ainda...




Hoje, com toda a tecnologia que dispomos, comodamente podemos passar do bairro em que vivemos para qualquer outro lugar no planeta, bastando apenas alguns cliques.  É possível visitarmos uma cidade inteira e, em poucos minutos conhece-la em detalhes, apenas visualizando um mapa via satélite, disponível na internet. Com um zoom poderosíssimo, rapidamente transforma um amontoado de pixels em qualquer escala, articulando imagens e informações vistas a partir do céu.

Porém, nada mais abstrato, nada menos realista. Uma imagem de satélite nos permite perceber uma cidade e toda sua região, porém decompõe-se em múltiplos écrans no momento em que descemos a terra.

Para conhecer, com efeito, é preciso deslocar-se fora da tela. Viajar.

Ao viajar se aprende verdadeiramente a conhecer um lugar.  Através da visão subjetiva, personalizada e individualizada fazemos nossa própria compreensão do lugar, ou seja, um somatório das dimensões geográficas, simbólicas, emocionais, culturais, políticas, biológicas e religiosas. E criamos muitas vezes uma relação de afetividade com o lugar, dando-lhe identidade e significado.

Em minhas viagens adoro observar a arquitetura como arte e as pessoas no seu dia a dia. Todo esse movimento urbano, me ajuda a compreender melhor o papel do homem como agente responsável pela formação do ambiente construído ao seu entorno, a complexidade das relações sociais, seus conceitos e valores.

Por isso, cada nova cidade um novo lugar de encontro. A experiência do estarmos juntos trocando ideias e conhecimento a cerca de tudo que resume e caracteriza o lugar. O que é no presente e representou no passado. O mosaico de pessoas que vivem, viveram e ali morreram. 

Ruas, edifícios, praças, monumentos e tudo aquilo que tenha importância no campo simbólico, manifestos na consciência coletiva e que tenham, portanto, significados socialmente reconhecidos.









segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Razão e sensibilidade...

Imagem Google


Gosto de gente que é capaz de entender,
que é um erro querer arrancar da cabeça,
aquilo que não sai do coração.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Tetazo - Mulheres argetinas contra as velhas moralizações e novas politizações.

                                                      Imagem Google



Em janeiro de 2011, diversos casos de violência sexual ocorreram em uma universidade de Toronto, Canadá. Dias depois, o policial Michael Sanguinetti, convidado a proferir uma palestra sobre segurança, orientou as alunas “a não se vestirem como vadias, para não serem vítimas de assédio sexual”, ou seja, o mesmo que responsabilizar a vítima pela violência sofrida.

Pouco tempo depois, o IPEA, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas divulgou uma pesquisa na qual, entre diversos resultados assustadores, 65% dos brasileiros concordavam com a afirmação de que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Obviamente o resultado surpreendeu e gerou revolta, o que resultou na campanha “Eu não mereço ser estuprada”, que rapidamente converteu-se em uma avalanche de imagens que circularam pelas redes sociais, onde mulheres exibiam seus seios, um protesto contra a crença de que vítimas de assédio e estupro, são culpadas.

E essa semana, na cidade costeira de Necochea, cerca de 500 quilômetros de Buenos Aires, cidade em que vivo, um incidente gerou muito alvoroço na mídia local e manifestações pelo país. O detonador foi o topless de três mulheres, vinte policiais e seis patrulhas. É isso mesmo! 

Deslocar tamanho efetivo para atender esse tipo de denuncia, iniciou uma guerra entre feministas e conservadores. Todos os canais de tv falavam e debatiam sobre o mesmo assunto: A questão legal, a opressão de gênero, o machismo e a violência contra a mulher. E não parou por aí. No dia seguinte cerca de duzentas mulheres reuniram-se no obelisco, famoso ponto turístico e lugar de protestos sob o lema: "la única teta que molesta es la que no se puede comprar". E seguiu nas cidades de Rosário e Mar del Plata, marcada pela irreverência de grande parte das participantes, nuas da cintura para cima.

E as discussões seguiam com perguntas do tipo: A questão legal não deveria ser considerada, já que aqui é proibido o topless? A mulher não tem esse direito. Segundo as leis machistas, como quase tudo na nossa sociedade, o corpo feminino é sexual. Para a lei e para uma maioria esmagadora, inclusive mulheres, o peito feminino ainda é uma ofensa.

E seguiam: Seria a força policial o detonador, afinal, vinte homens para conter três mulheres cujo único delito era os peitos de fora? Ou tudo fora apenas o estopim para dar inicio a mais uma rodada na luta das mulheres pela autonomia de seus corpos? Por que ainda agride tanto, quando temos mulheres praticamente nuas nas publicidades de tv, novelas, filmes, videoclipes, teatro, fotografias e uma infinidade de outras coisas que agridem, saturam e se multiplicam todos os dias? Será que ainda podemos nos escandalizar com peitos de fora?

A verdade é que mostrar-se, com ou sem roupa está na moda. Inclusive virou uma forma de ativismo. Mulheres de toda classe e idade exibem-se nuas em nome de uma multiplicidade de causas nobres. 

Mas não se trata apenas de uma excentricidade entre celebridades ou não. O fenômeno é mais abrangente e, por isso, merece ser observado com atenção, pois nos últimos anos vem crescendo esse tipo de agrupação política, cuja principal arma é precisamente tirar a roupa em público, sobretudo nas ruas das grandes cidades, já que, a nudez ainda continua suscitando alvoroço. 
Sendo assim, resultam eficazes, quando o objetivo é chamar a atenção.

Porém, ao se replicarem com tanto barulho e rapidez, é provável que acabem perdendo também sua eficácia midiática em virtude de sua banalização. Mas por enquanto a tática ainda parece funcionar. Muito embora tenha a dúvida: a nudez é tão chamativa que atrai todas as atenções, inclusive as que deveriam se concentrar nos nobres motivos do protesto em questão. Ou seja, será que as pessoas enxergam algo mais além de seios, já que os nobres motivos parecem ficar eclipsados pelas instigantes imagens?

Sim ou não, o certo é que essa luta vai continuar e os seios de fora também. Porque é sobre isso a luta. Mulheres com direito e liberdade de mandar e desmandar em seus próprios corpos e a expô-los sem medo e sem julgamentos.
Porque o corpo feminino não é mais sexual que o masculino. Um decote não é provocação. Uma saia curta não é convite. Um peito de fora não é ofensa.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Sobre Escolhas...

                                                          Imagem Google





Assim como eu, você certamente já leu toneladas de frases e artigos que falam da importancia de amar sem apego, respeitando e acolhendo as escolhas do outro. Pois bem, tudo muito lindo, mas verdade seja dita: Nem sempre é assim que funciona. Teoria é uma coisa, já prática, outra!

Mas felizmente existem exceções, o que me faz lembrar uma experiência vivida anos atrás, quando trabalhava em uma companhia de comércio exterior e tinha como chefe uma pessoa muito especial, pois sempre que havia oportunidade elogiava meus resultados, incentivando e demonstrando sua confiança em mim, e meu trabalho.

E isso me deixava muito satisfeita e confiante. Porém, mesmo assim um dia decidi participar de uma entrevista para emprego em outra companhia. Na verdade eu não planejava ir-me, apenas queria ver o que as outras empresas teriam a oferecer-me. E eu disse a ele.

E sua reação foi uma completa surpresa para mim, pois ao invés de pensar em si mesmo e tentar convencer-me a ficar, ele apenas me disse sorrrindo: "Vá à entrevista e faça o que é melhor para você!"

Era óbvio que ele não queria que eu saísse, mas entendeu. E isso fez a diferença, ao oferecer-me uma escolha.

E esse poder de escolha era a liberdade que necessitava para comparar e decidir entre o que era melhor para mim naquele momento. Então eu fui para a entrevista, e voltei com a certeza de que meu trabalho atual era melhor e mais seguro do que um novo projeto. 

O que eu aprendi com essa experiência?  Que deixar ir, dá às pessoas uma escolha, capacita e liberta. Observe o voo de um pássaro. Jamais você irá vê-lo carregando, puxando ou arrastando outro pássaro consigo, pois não seriam capazes de voar.  Ambos cairiam ou teriam muita dificuldade para continuar.



Pense nisso...





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Donal Trump - Um personagem de ideias extremistas!

                                                                Imagem Google



Durante a campanha à presidência dos EUA, do então candidato do Partido Republicano, Donald Trump, o redator de economia do Financial Times, Martin Wolf reproduz muito bem em seu artigo o pavor que a possibilidade da eleição de Donald Trump representava: “Às vezes a História dá saltos. Pense na Primeira Guerra Mundial, na revolução bolchevique, na Grande Depressão, na eleição de Adolf Hitler, na Segunda Guerra Mundial, no começo da Guerra Fria, no colapso dos impérios europeus, na reforma e abertura da China por Deng Xiaoping, no colapso da União Soviética, na crise financeira de 2008-2009 e na “grande recessão” subsequente. Podemos estar à beira de um acontecimento tão transformador quantos muitos dos citados: a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Isso representaria o fim do Ocidente sob a liderança norte-americana como força central nos assuntos mundiais. O resultado não seria uma nova ordem, mas uma perigosa desordem.” (Financial Times, 27/09/2016)

Sem dúvida Donald Trump já se mostrava como um personagem de ideias extremistas, com discursos e promessas que seus críticos qualificavam como xenófobas e racistas. E hoje, para muitos, suas nomeações de governo ratificam essas posições.

É certo que desde sua campanha Trump ataca cruelmente o povo mexicano ameaçando deportar milhares de pessoas e propondo a construção de um muro em sua fronteira. Instiga e incita as pessoas a temerem e odiarem aqueles que são “diferentes”. Denigri as mulheres - sua misoginia não consiste tanto em querer restringir a mulher à esfera doméstica, mas principalmente em querer reduzi-la a um objeto sexual - dos concursos de beleza feminina que organizava aos desastrados comentários que emitiu durante a campanha, fica a imagem de uma misoginia atualizada à medida da sociedade de consumo. E essa semana li no site da Globo que diminuiu em 50% o número de mulheres na Casa Branca. Zombou de deficiente, defendeu abertamente crimes de guerra, entre eles tortura, ameaçou a imprensa, proíbe entrada de refugiados sírios e cidadãos de mais sete países muçulmanos, inclusive os que possuem dupla cidadania ou green card.

Em poucos dias já arrumou muitos conflitos, porém, Trump conseguiu despertar sentimentos e pensamentos radicais que, até então, muitos setores não haviam se atrevido a tornar público. Ele aventurou-se e saiu triunfante. O que mostra obviamente que quando não existem confiança nem liderança política o povo pode usar de experimentos muito perigosos, como, inclusive, abrir a caixa de pandora, criando um futuro incerto para toda uma nação. Basta ver o exemplo da vizinha Venezuela, que se alimenta de ameaças e faz uso da violência para construir o poder, eliminando direitos democráticos, atacando e calando a seus oponentes.

Não transcorre um só dia, desde que tomou posse, em que Donald Trump não ganhe a página de jornais, telejornais e redes sócias. Hoje tudo parece girar em torno de sua figura fanfarrona e exibicionista, já que é fato que pode acionar alarmes no mundo inteiro quando nos dá mostra diariamente de seu estilo perigoso, direto e populista.


Mas o fenômeno Trump, por mais excêntrico que pareça não é algo casual. Se explica dentro de um quadro de crises e descontentamento. E uma coisa é certa: a política dos Estados Unidos vai levar algum tempo ganhando a nossa atenção. Só não sei dizer se isso é bom ou ruim, porém, desde já resulta interessante. Ou seria preocupante?




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um dilema histórico da humanidade: Quando conter ou não a agressividade.

                                                                      Imagem Google




Vivemos em uma sociedade na qual o perigo e as reações agressivas estão exacerbados. Vejo a hipocrisia como manutenção dessa agressividade usada ao extremo. Virou instrumento político de manutenção da força e desigualdade, promovendo e rompendo relações.

E é certo que passamos por mudanças significativas em todos os aspectos de nossa sociedade. Governo, religião, família, trabalho, modo de vida, educação e muitas de nossas instituições sociais, através das quais as pessoas encontravam segurança no passado, hoje já não são mais seguras ou presentes como costumavam ser.

Governos, sociedades e outras instituições estão experimentando momentos muito confusos e crises dolorosas.  Estamos passando por profundas e dramáticas mudanças, por isso é importante para o desenvolvimento das relações sociais e melhoria da qualidade de vida do coletivo, discutir a agressividade em seus vários níveis, uma vez que se tornou um fenômeno comum do nosso cotidiano. 

É importante saber e discutir como o ser humano vê o ser humano, como o homem se vê como pessoa, o que significa a consciência, o que significa ter um corpo, expressar emoções e relacionar-se numa sociedade totalmente competitiva como a nossa, onde praticamente tudo que se diga ou faça é visto como uma agressão, já que a leitura dos fatos geralmente é interpretada como se um quisesse sempre invadir o espaço vital do outro, motivo para qualquer situação banal virar um campo de guerra.

E o que motiva a perda do rumo para uma situação de conflito? Não saberia a resposta! Mas penso que a agressividade seja consequência de uma política não apenas econômica do nosso sistema, mas também direcionada a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas como o ódio, cobiça e inveja, tão presentes no topo comportamental dessas pessoas. Sem contar suas necessidades de atenção ou carência, já que o sujeito agressivo, apesar de toda sua conduta imponente, na maioria das vezes se sente dependente do outro, e o ódio atua como uma reação de desespero e tentativa de negar tal condição.

E este é seu pecado capital, pois quanto maior a energia empregada numa contenda, maiores os riscos perante a opinião alheia, sobretudo quando a verdade que expõe, mesmo que transcendental, queira justificar a submissão plena do outro, ou a amargura que carrega servir de defesa perante suas cruzadas.

Porém, tão agressivo quanto uma explosão de ódio é omitir-se diante um momento onde é fundamental que ajudemos ou participemos da vida de uma outra pessoa. E talvez isso se dê porque saibamos que a dissimulação, filha legítima da agressividade também seja parte de nossas vidas, como uma espécie de permissão para vivenciar a mesma, de forma velada.



Pense nisso...




segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Viajar, uma experiência incrível!!!!

Nassau, Bahamas

Sempre foi dito que quem viaja, adquire conhecimento e cultura através de uma experiência própria, portanto, a rigor, somente tem validade e especial significado para quem viveu essa experiência, ou seja, nós até poderíamos imitá-la, mas a experiência possivelmente não se adaptaria ao nosso gosto, emoções e sentimentos da mesma maneira como o foi para o outro. E essa dedução é óbvia porque somos seres humanos singulares, cada qual com suas cargas emotivas, sentimentais e de conhecimentos materiais, anímicos e espirituais, o que nos faz seres humanos únicos, seja em qualquer lugar, vivendo qualquer experiência no mundo.

Por isso não é em vão que existam pessoas que sintam atração por certos países, enquanto que outras nem desejo de conhecê-los têm. E aí, contam, e muito as nossas experiências, pois não existe nada neste mundo que possa substituir o aprendizado de uma experiência vivida.

Gran Turka, Turks and Caicos

E o bom viajante, que eu defino como aquele que possui um coração que sente, observa e guarda para sempre o momento vivido, com olhos de quem sabe ler onde as palavras desaparecem talvez anotadas na sensibilidade de um caderno invisível, certamente já concluiu que também viaja para aprimorar-se internamente, pois viajar é uma das melhores maneiras de expandir a consciência e deixar que as preocupações desapareçam junto com outras formas de apego.


Dia de Navegação no MSC Divina

Portanto, se você não está aberto a valorar um simples recorrido no campo sem preconceito ou opinião crítica antecipada, então suas viagens serão pura perda de tempo e dinheiro, porque a incerteza do que acontecerá ao longo de cada viagem é o que torna seu destino ainda mais tentador.

Conhecer o outro, entender como o meio influencia ideias, modos de vida e comportamentos, encontrar similaridades e diferenças, entender quais são as fronteiras que nos separam ou aproximam, reaprender a confiar, ver, experimentar, deixar que as experiências nos modifiquem, reencontrar-nos, fotografar e guardar na memória, contar e compartilhar o que sentimos e o que vemos, enfim, viajar é tudo isso e muito mais.  É viver de um jeito saudável e prazeroso!

E 2016 foi um ano de muitas realizações nesse sentido. Visitei Estados Unidos duas vezes, França, Itália, Grécia, Istambul, República Dominicana, México e Patagônia Argentina. E para finalizar 2016, passei a bordo de um navio pelas águas do Caribe conhecendo lugares incríveis.

E o que espero para 2017!!!!! Mais experiências agradáveis, claro! Com a sabedoria de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.