quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Aborto! Precisamos falar...




Há dias presencio nas redes sociais uma verdadeira guerra de opiniões a cerca do aborto. Há duas frentes de batalhas. A primeira defende a prática, alegando que a mulher é um ser livre e tem o direito de escolha, principalmente quando envolve a maternidade. Ou seja, o corpo é dela, ponto. Sendo assim, religião, família, parceiro e sociedade não devem opinar.

A segunda, por questões éticas, religiosas ou científicas é contra, pois entende que a decisão não cabe exclusivamente à mulher, já que abriga em seu corpo a vida de outro ser humano.

A verdade é que, concordando ou não, legalizando ou não, o aborto sempre existiu e seguirá existindo, gostem ou não. No Brasil milhares de mulheres abortam todos os anos e, entre elas um número gigantesco sofre complicações decorrentes da prática malfeita, geralmente realizada em locais sem as mínimas condições de higiene ou segurança, o que leva essas mulheres a óbitos ou mutilações. Ou seja, proibir o aborto não detém sua prática, só o torna mais perigoso e mortal.

E vale lembrar que não há relação direta entre sua legalidade e sua incidência. Portanto, ao legalizar esse direito as mulheres, isso não implicaria necessariamente no aumento a incidência de abortos induzidos. Não por esse motivo.

E a pergunta que fica é: O aborto deve ser legal e seguro, ou ilegal e arriscado? Sem dúvida é uma pergunta difícil de responder. Por isso é preciso falar. Sem tabu. Sem embaraço. Sem medo e, sobretudo sem culpa.

Jovens e adultos fazem sexo. Sempre fizeram e sempre farão. O problema reside em quem tem menos informação e menor acesso a métodos contraceptivos, – aí caberia ao parceiro orientar –, pois provavelmente estará mais suscetível a uma gravidez indesejada, principalmente quando essa gravidez ocorre fora do casamento. Mas fora ou dentro, jovens ou não, mulheres tem chegado ao extremo para interromper uma gravidez indesejada. E os motivos são muitos e cada uma sabe de seus porquês. E então se arriscam.

Arriscam porque nossa sociedade, como mostrou Foucault, é dominada por uma vontade de verdade, seja ela qual for. O que vale aí é a atuação de procedimentos e mecanismos variados que possam  controlar, selecionar, excluir e organizar os discursos como verdadeiros e falsos, e, assim, manobrar e ditar o que é certo ou errado, fazendo com que tudo aquilo que é dito como verdade passe a ganhar a condição de um discurso verdadeiro. E nesse jogo nojento e perverso de poder entre verdadeiro e falso, bem ou mal, historicamente as mulheres sempre foram vistas somente como um corpo, muitas vezes mentiroso e mal intencionado. Assim como Pandora, que na mitologia era tida como a representação do mal, ou Eva, que para os cristãos era a porta pelo qual entrava todo o pecado. Representações femininas cujos corpos facilmente poderiam conduzir ao prazer, ao erro, a injustiça e a mentira. 

E nas artes também temos alguns exemplos: Madame Bovary, Anna Karenina, ou seja, mulheres que protagonizaram romances do século XIX, aqueles obcecados pelo tema da infidelidade, onde mulheres sexualmente ativas enlouqueciam ou morriam. Coincidência ou não, a verdade é que o corpo feminino foi construído culturalmente como algo a que se deve ter cuidado e cautela, pois ele pode enganar e seduzir.

E infelizmente este imaginário torto e nefasto ainda habita a cabeça de muita gente incapaz de reconhecer que as mulheres são pessoas plenas e integras em suas faculdades.  Portanto, é imprescindível que toda mulher tenha direito ao controle sobre seu corpo, respeito por suas decisões e projetos de vida, garantia de segurança, caso opte pelo término da gravidez, apoio por parte de seus familiares, amigos e médico, independente da opinião pessoal, reconhecimento por parte do estado, legitimando essa escolha e, quando isso aconteça, que moral e religião se abstenham de opinar, criticar e julgar.

Porque não somos Eva ou Pandora. Somos mulheres comuns e reais. Nem boas, nem más. Nem santas ou pecadoras. Apenas mulheres que eram e acertam. Mulheres que quando optam pelo aborto, é porque já descartaram todas as possibilidades existentes, pois não é algo que se faça sem pensar.

Uma decisão dura e triste, pois decida o que decidir, a verdade é que essa mulher sempre irá perder algo. E quando tudo termine, ela já não será mais a mesma, pois terá que conviver com o peso e as consequências de sua decisão.

E verdade seja dita: Maternidade não é um sonho mágico que se compra em uma banca da esquina. É um mar de responsabilidade e disponibilidade emocional em que se navega por águas turbulentas durante anos. É um trabalho árduo, onde se expõem as próprias vísceras para que a do outro possa crescer, se nutrir, fortalecer e se manifestar. E para isso acontecer é necessário muito mais que vaidade, autoafirmação, obrigação ou imposição.

Não é à toa que algumas pessoas pensem o que pensem sobre aborto x maternidade, afinal, em uma sociedade que se ergue a partir de perspectivas que nos obrigam a conviver com a culpa, essa construção de séculos que só tem uma função social muito específica, que é controlar, causem tanto mal estar, desconforto e conflito em torno do assunto.

Talvez isso explique porque nós mulheres temos sempre a sensação de estarmos erradas. Mesmo quando estamos “dentro dos padrões”.


















terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A você, ainda tão presente, mas já tão ausente...

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“Anunciaram que você morreu. Meus olhos, meus ouvidos testemunharam. A alma profunda, não. Por isso, não sinto agora a sua falta.” Trecho do poema A Mario de Andrade Ausente, de Manuel Bandeira.

Lembrei-me desse poema agora á pouco, quando meu celular soou, lembrando-me que amanhã seria seu aniversário.  Você faria 71 anos... 

A verdade é que me sinto meio Manuel Bandeira. 

Sei que meus olhos e meus ouvidos testemunharam a sua morte, mas minha alma profunda, ainda não.

Por isso é estranho, saber que não vou poder ligar para você.





sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Natal – Quando mercadorias suprem vazios existenciais!

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E chegou dezembro! Mês que gera um Ímpeto irracional de compras – muitas vezes de coisas de que ninguém necessita ou sequer deseja –, seguida pelo trânsito insano nos grandes centros urbanos, as filas enormes nos shoppings e a imposição da compra de um número quase sem fim de presentes para familiares, amigos, colegas de trabalhos, doméstica, porteiro, e assim por diante.

E aí vêm as perguntas: Será que passamos valores humanos para as crianças ao comemorar um Natal em que o presente é o mais importante da festa? Como consumir de forma mais consciente e crítica, principalmente em épocas como o Natal, quando somos impelidos a consumir em excesso? Como acabar com os velhos hábitos consumistas que priorizam o ter em detrimento do ser?

Não podemos negar que o consumo faz parte de nosso cotidiano. É um fator importante no processo de desenvolvimento econômico, pois aquece o mercado, a produção, gera renda e empregos. Mas quando recebe o sufixo ismo, essa prática tão trivial do nosso dia a dia, vira doença.

Porém, atualmente o consumismo não é visto dessa forma, e sim como um hábito aceito em nossa sociedade desde a infância, não só pelo estímulo incansável do mercado, mas também pela enorme pressão social que nos convida a consumir sem reflexão.

Um hábito que agrega valor ao indivíduo onde bens e serviços funcionam como ingresso de trocas sociais e afetivas.

Uma pena, porque bom mesmo seria se encontrássemos uma maneira de fechar nosso ano com menos dívidas e mais afeto.




Pense nisso...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Precisa mesmo dizer isso?

                                                         Imagem Google




A capacidade argumentativa das pessoas não deixa de me surpreender. Direito consagrado, o uso das faculdades intelectuais do homem para convencer o seu semelhante é uma poderosa arma que, como todas as outras podem ser usadas para o bem e para o mal, pois somos capazes de fundamentar ideias absurdas pelo simples fato de fazer prevalecer aquilo que pensamos e acreditamos como correto.

Sendo assim, apesar de ser uma defensora da liberdade de expressão, confesso que alguns argumentos me assustam porque fica óbvio a total falta de informação por parte de quem recebe a mensagem, ou seja, o sujeito no se informa, diz tolices e é aplaudido.

E internet e redes sociais são terrenos férteis para propagação dessa praga. Na rede aparentemente as pessoas sentem-se mais confortáveis com a própria ignorância, sobretudo quando ela rende reações positivas de leitores criando nessas pessoas a falsa sensação de que o que pensam seja realmente a verdade, um ato muitas vezes inconsequente, já que toda e qualquer experiência pessoal de opinião, onde não haja o mínimo de reflexão ou informação crítica sobre o que se diga, às vezes pode tornar-se um perigo, pois todos querem ter razão e poucos são os que realmente se interessam em nortear o crescimento alheio.

Vejo isso todos os dias, principalmente quando o assunto dos debates é sobre política, cultura e sociedade. Aí a coisa é ainda mais feia. Destila-se veneno, ódio e preconceito de maneira instantânea. Atiram para todos os lados em tom inflamado, fazendo provocações e afirmações polêmicas que geram ainda mais intolerância e radicalismo. E isso é avesso ao debate. 

Talvez Gregório Duvivier  esteja certo ao afirmar que a internet é uma escola de ódio.  Acho que estou entendendo o que ele quis dizer, pois as redes sociais tornaram-se uma ferramenta de busca por iguais, que rejeita os diferentes.


Pense nisso...











sábado, 26 de novembro de 2016

Arrepio:Evidência de que ainda há algo vivo em nós...

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Arrepio: Evidência de que ainda há algo vivo em nós. Experiência de energia fluindo. Prazer e leveza. O horizonte aberto, espaço para ação, lucidez e a criação de sentido. Energia que define felicidade ou sofrimento, não importa em qual experiência aconteça.

Portanto, ao tratarmos a oscilação emocional tão comum a todos nós como um simples objeto passivo, como poderemos cultivar autonomia de energia para aguentar todos os percalços?

Colocando nosso bem-estar em primeiro lugar, sempre! E para isso precisamos mirar positivamente para os cenários e configurações da vida. Respirar com tranquilidade. Cultivar a certeza de que não precisamos de nenhum comando extra para que nosso coração pulse sozinho, pois não necessitamos que nossa energia seja vinculada a qualquer outra pessoa, coisa e assim por diante.

Manter o brilho no olhar sem que necessitemos nenhuma visão especial para que isso aconteça. Deixar de lado a necessidade irritante e urgente de querer consertar e ressuscitar o que morre a cada dia.  

Pois, como bem diz Caetano,``tudo é uma questão de manter, a espinha ereta, a mente quieta, e um coração tranquilo``. Ou seja, é preciso desentortar o corpo, liberar a mente das condições que nos intoxicam e asfixiam, e operar com coerência e leveza sob as condições existentes. O importante é reencontrar e reconhecer as delicias de se estar vivo.

Porque nós somos vida. Nós somos energia.


Pense nisso....








quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E aí, como foi seu ano?

                                                            Imagem Google




Final de ano se aproximando e sempre surge alguém com aquela pergunta inevitável: "E aí, como foi seu ano?" É nesse momento que dou um sorriso, suspiro e digo: "Apesar de tudo, foi bom”.

Mas a verdade é que algumas vezes fica difícil continuar. Afinal, por onde começar quando o sentimento de jamais ser compreendida me invade e deixa claro o quanto essa tarefa pode tornar-se difícil. Não digo com relação a organizar os fatos em minha mente, mas sim em expressá-los, traduzi-los em palavras, pois por mais que eu me esforce, ainda assim algumas pessoas não entenderão o significado do que tem sido esse ano para mim.

Nas inúmeras definições que encontramos sobre a felicidade, uma delas diz que, para sermos felizes requer que façamos um exercício diário, o que acredito e prático, porém penso que a felicidade surja com toda sua magnitude quando não estamos obcecados a sua procura.

E muitos momentos felizes de minha vida se fizeram assim, simplesmente no acaso, seja em uma conversa despretensiosa, uma nova amizade, um andar sem rumo, um novo cenário, ou seja, nas coisas corriqueiras do dia a dia que me permitem enxergar o mundo de outra perspectiva.

E foi assim, no acaso, sem avisar, vindo de uma forma surpreendente que me abriu a porta e disse: "Ei, acorde Denise, porque o coelho já passou”.

E a felicidade deu lugar a tristeza... 

E foi quando me vi no olho do furacão e chorei. Chorei tudo o que não tinha chorado nos últimos tempos. Chorei para arrumar as gavetas do passado e abrir lugar para o futuro, guardando cuidadosamente cada memória no seu devido lugar.

A verdade é que a jornada é eterna, mas cada viagem tem seu fim. E o que fica,  o que nos ajuda a manter essa tal felicidade é a sabedoria em zelar por cada momento vivido sem jamais ficar triste porque tenha chegada ao fim, mas sim, mantendo-se em gratidão por tudo o que se há vivido.





terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quatro meses sem você...

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Hoje, quatro meses que você nos deixou. 
E assim vamos, 
levando conosco a saudade, 
esse sentimento de querer trazer para o presente,
o que já não está. 

Mas os ventos, 
quando nos tiram algo que amamos, 
são os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar.  

E assim é a vida e seus ciclos.
Uma hora nos dando, 
outra tirando... 


Saudade mama, 
muita! 
Mas vamos aprendendo a acomodar.