Por mais pausas, por favor!






Às vezes, tudo o que se precisa é de uma pausa. Mas não a pausa convencional, aquela cronometrada pelo relógio da produtividade, que estabelece com precisão as horas, os minutos e os segundos em que o indivíduo deve parar ou recomeçar. Refiro-me a pausa das vivências efervescentes. A pausa em que cada um, a seu modo, constrói um espaço de intimidade nesse tempo contínuo, conseguindo por fim enxergar-se, entender-se, ampliar-se, respirar e novar-se diante dessa vida pulsante que repete, repete, cansa e esvazia os sentidos.

Um momento de ruptura com a continuidade, resistindo ao movimento mecânico, compulsivo e em série, como gestos pré-fabricados repetidos e combinados num tempo produtivo a ser preenchido exaustivamente.

Um intervalo entre uma atividade e outra. Minutos ociosos onde não estamos em lugar algum e em tudo. Movimento que irrompe da possibilidade de parar e colocar-se à disposição do ver e sentir tudo aquilo que pede silenciosamente um espaço para se manifestar.

Uma pausa reivindicada para que se possa estar à altura do que a vida, com todas as suas armadilhas, exige de nós.