Aeroporto - Bem mais que um lugar de passagem...


Nos últimos dois anos eu viajei a quatro continentes e 23 países. Foram horas de voo e outras tantas de espera em aeroportos.  E quem viaja sabe o quanto essa espera pode ser tediosa e cansativa. Um verdadeiro exercício de paciência, virtude indispensável para, no mínimo, transitarmos sem grandes frustrações por esse tipo de ambiente.

Mas depois de muito me queixar, descobri que encarar essa parte chatinha da viagem como um bônus, no qual me dá a oportunidade de explorar o lugar e observar as pessoas, pode até ser positiva. Sem dúvida é um modo de deixar as longas esperas mais suportáveis, já que os aeroportos oferecem uma oportunidade única, pois ali circulam pessoas de todos os cantos do planeta.

Pessoas de diferentes culturas e idiomas que se mesclam e se confundem entre uma multidão. Considerando que os aviões encurtam consideravelmente os deslocamentos, são seguros e acessíveis economicamente, atingem a cada dia um número maior de pessoas.

Na música “Encontros e Despedidas”, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant em 1985, já naquela época nos mostrava alguns aspectos dos terminais aéreos que muitas vezes não percebemos, mas que quando percebidos tornam estes lugares de certa forma emocionantes.

Aeroportos são palcos de despedidas, reencontros, estresse e muitas histórias inusitadas. Então, sente-se  e observe. Certamente você presenciará situações e verá alguns personagens únicos, que não terá a oportunidade de ver em nenhum outro lugar. E contando com a proteção intrínseca à condição de turista, essa carapaça que nos protege de um contato mais íntimo e profundo com o outro.

O que não nos impede de imaginar de onde vem e para onde vão.  De testemunharmos sua alegria e tristeza. Afetuosidade e melancolia. Abraços e sorrisos. Lágrimas e tristeza. Porque esse é um local cheio de emoções, pois enquanto alguns comemoram o tão sonhado e desejado destino, outros sofrem com o momento que antecede um adeus.

São pessoas diferentes e com motivos diferentes para estarem ali. E como nos diz a música, é algo que se repete todos os dias. Por isso, antes de embarcarmos em uma viagem de férias ou negócios, o certo é que muita coisa pode acontecer naquele espaço onde a espera não passa incólume ao encontro constante com o outro.

É muito mais do que um lugar de passagem. É lugar por onde circulam pessoas anônimas, mas que muitas vezes passam a serem notadas por suas manifestações, expressões, vestimentas e idioma. O que conecta diferentes pessoas em diferentes situações, tirando o outro de um anonimato relacionado à multidão que, em um contexto geral, desumaniza.