Minha agenda, um organismo vivo...





Organizando minha agenda para os próximos meses, penso na íntima e estreita relação que vamos mantendo ao longo do ano, pois durante os 365 dias que cabem nesse intervalo, páginas em branco, espaço dedicado ao cultivo dos próximos tempos será gradativamente preenchido, transformando-a em algo particular, ajustado e íntimo. Com a diferença de que, ao invés de relatos de experiências íntimas, essas páginas não tem por finalidade a confissão. Ao contrário, ela visa reunir o que se pode ler e ouvir, pois é o lugar onde determino tarefas, controlo atividades, compromissos e horários. Um exercício do tempo. Um tempo com passado, presente e futuro onde busco estabelecer um tipo de ordem face aos movimentos de minha vida.

Um lugar que necessita do meu risco e rabisco para criar vida, pois são essas impressões que constroem as páginas, preenchem os meses e conectam os dias a algo ou alguém numa escritura cotidiana. Uma espécie de ritual. 

Já perceberam como existem poucos acontecimentos que não deixam ao menos um vestígio escrito? Eu necessito deixar tudo registrado. E muitas vezes esses registros passam a ocupar o lugar de testemunhos do que eu vivi, já que, uma vez arquivados podem ser revisados, reordenados, reclassificados e, desse modo me ajudam a construir e reconstruir momentos de minha vida. Uma maneira de mantê-la bem organizada, ao menos no papel.

Em minha agenda ancoro o meu presente e projeto o meu futuro. É lugar onde consigno citações, reflexões, lembretes ou qualquer coisa que constitua uma memória das coisas lidas, ouvidas ou pensadas. Coisas que sempre vão estar disponíveis a consulta quando minha memória falhar ou me enganar.

E sabe o mais interessante de tudo isso? É que me dou conta de que a escrita infelizmente já está em vias de extinção, pois não há como negar que as relações que estabelecemos com todos esses aparatos tecnológicos a nossa disposição acabam formatando nossos hábitos e comportamentos. Por isso, ao escrever a próprio punho sinto-me numa outra velocidade. Numa outra intensidade. É muito mais íntimo, pois sinto o peso da caneta deslizando suavemente em contato com a superfície do papel registrando e organizando ideias. Relativizando a noção de anonimato na medida em que, mesmo sem que haja nome próprio cada página possui uma assinatura, uma marca.

E voce, que relação tem com sua agenda?