Estamos em reforma...




Estamos em reforma. E nessa ciranda, entre pedreiros, pintores e carpinteiros, descubro que reformar a casa, pode ser uma experiência existencial. Enquanto destroem uma parte, na outra me enclausuro. Começo a enxergar não só as diversas possibilidades da casa. Percebo que ao mover as coisas do seu lugar habitual, mudo hábitos e rotinas. Abandono minha zona de conforto e me vejo forçada a fazer algo, mesmo que seja de improviso.

E nessa busca por novas ambientações, surge a oportunidade de mover, e até doar peças e objetos que, em sua maioria, já sobreviveram a mim. Então, concluo que é melhor que envelheçam em outro lugar, porque aqui não há medo de mudanças, nem tão pouco de movimentos.

A vontade aqui é de renovação. Um abrir de portas e gavetas, buscando desenterrar coisas desnecessárias, mas que permanecem me confundindo entre o zelo e a preservação, quando na verdade essa é a desculpa que uso para justificar meu apego ao que não serve mais, mas mesmo assim insisto em mante-los, em nome de algo ou alguém.

Estou me livrando de tudo. E o que não serve, se extinguirá. Sem remorso, pois não vou arrastar comigo fósseis do passado quando estou inaugurando uma nova vida.