Ainda sobre aquela tarde...





“Sempre gostamos de considerar-nos menos selvagens do que os outros animais. Dizer que pessoas são ‘humanas’ é dizer que são bondosas; dizer que são ‘bestiais,’ ‘brutais’ ou simplesmente que se comportam ‘como animais’ é sugerir que são cruéis e más. Raramente paramos para considerar que o animal que mata com menos motivo para fazê-lo é o animal humano.” Peter Singer

Ainda com a adrenalina nas alturas, estamos todos individualmente estranhos. Existe um peso entre nós. Trocamos sorrisos forçados e quase não falamos. Mas há que seguir. Zilhões de ligações, e-mails, planilhas e montoeiras de papéis nos esperam, antecedendo mais uma viagem. 

enquanto que metade do nosso coração tenta fazer as pazes com a outra metade, buscando recuperar a alegria que nos levaram, trabalhar ajuda a espantar os pensamentos cáusticos e distrai a dor.

Não há frase feita, antidoto, fórmula pronta ou autoajuda que amenize o trauma daquela tarde em que nos roubaram. Mas a vida nem sempre pode ser controlada. Aliás, na maioria das vezes não.

O que ocorreu conosco ocorre a cada segundo com outras pessoas, principalmente nas médias e grandes cidades, onde a violência urbana só cresce e traz incertezas. 

O que me faz pensar na desesperança em um mundo em que o homem virou definitivamente o lobo do homem. Nossa realidade crua, assombrosa e consternadora.