Por que as pessoas andam tão loucas?




Já observaram como as pessoas estão mergulhadas em conflitos de toda ordem e sem pontos de referência que as orientem no caminho de uma melhor condição de existência?  

Se de um lado se apresentam aspectos que apontam para um desenvolvimento exuberante, de outro se convive com uma barbárie primitiva e desesperadora. Jamais houve tanta possibilidade de se construir um verdadeiro paraíso neste planeta, contudo, jamais houve tantas diferenças que reduzem as condições da maioria de seus habitantes a um verdadeiro inferno.

Nossa sociedade não está saudável mentalmente. As pessoas tornaram-se agressivas, inadequadas, invasivas, exageradas, dramáticas e estão sempre com uma necessidade desesperada de fazer-se notar. Ontem mesmo andava por uma avenida movimentada de Buenos Aires quando, ao cruzá-la vejo uma mulher de uns 30 e poucos anos que vinha em minha direção. Ela usava um short jeans extremamente curto e muito, mas muito apertado. Tanto que sua periquita parecia querer saltar para fora. Confesso que dei uma olhada rápida e discreta, pois ela realmente se fazia notar. 

Imediatamente desviei meu olhar e segui. Dei mais alguns passos em sua direção e, para minha surpresa, ao passarmos lado a lado, aos gritos ela me diz: Sos una tarada y invidiosa. Ou seja, me chamou de tarada e invejosa.

Obviamente que formulei meu próprio veredicto visual. E sua reação agressiva e descontrolada só me reafirmaram o que pensava: as pessoas andam muito loucas.E dizem que o problema é porque numa sociedade totalmente competitiva como a nossa, tudo caminha à agressão. Uma olhada, uma palavra fora de contexto, uma pequena e inofensiva invasão no espaço vital do outro já se torna motivo para confusão. 

E a consequência não é apenas enfrentar os efeitos da agressividade, mas também muitas vezes até lidar com a culpa, pois geralmente são pessoas tão belicosas que de uma situação banal, transformam tudo em algo bem maior. E aí até acreditamos que fizemos algo errado, quando na verdade não, pois autenticidade não implica em ser grosseiro ou rígido, muito menos elevar o tom de voz. Isso só demonstra ansiedade e falta de controle de quem o faz. 

Mas isso tudo me serviu como reflexão. Difícil entender o ato agressivo, violento e antissocial que está se tornando norma. 

Sei que os extremos assolam nossa sociedade. Que as cidades se adensam e aceleram a cada dia. Mas penso que seria um erro imputar tal fenômeno somente a injustiças pessoais, sociais ou as traições e decepções que vivenciamos diariamente. 

A verdade é que o sujeito agressivo apesar de sua conduta imponente se sente na maioria das vezes totalmente dependente do outro. E a agressão nada mais é que sua resposta fisiológica não apenas a politica econômica, mas também está dirigida a esconder todos os sentimentos ou emoções negativas que carrega dentro de si por outras inúmeras razões.


O agressivo deve aprender que a sua verdade, seja ela qual for, pode até ser transcendental, mas jamais poderá justificar a submissão plena do outro. E a amargura que carrega será sempre uma defesa perante sua cruzada. Quase sempre mal sucedida, óbvio.