Edimburgo - O melhor do Reino Unido!



Amanheceu chovendo em Edimburgo. Capital da Escócia, essa é uma cidade onde se mesclam uma gama variada de marrons opacos, cores predominantes das construções mais antigas, com o cinza, sinalizando o que eu já sabia: a chuva é diária e intermitente. Mas nada que me impeça de desfrutar dessa cidade, que esconde em cada um de seus recantos, marcas de sua historia, cultura e identidade tão particular.

Situada nas margens do Firth of Forth, está ao lado de vulcões extintos e construída sobre sete colinas. É sem dúvida uma terra de beleza acidentada, e uma das últimas grandes áreas selvagens da Europa com montanhas, lagos e quilômetros de litoral deslumbrante.

Coroada pelo imponente Castelo de Edimburgo, construído sob uma colina no século XII, foi palco de muitos acontecimentos históricos, inclusive o nascimento de James VI, filho de Mary Stuart, e personagem que unificou a Inglaterra e Escócia sob o domínio dos Stuart’s, depois que a rainha Elisabeth I morreu sem herdeiros no século XVII.

A cidade se divide em dois distritos: Old Town, com impressionantes construções medievais, georgianas e vitorianas, assentadas em ruelas sinuosas e por vezes íngremes, e New Town, onde é possível encontrar conceituadas lojas de departamentos e um comércio variado, vitrines modernas e construções contemporâneas. Ambos os distritos foram designados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 1995.

Depois de Londres, Edimburgo é o centro financeiro mais importante da Grã Bretanha, pois se há destacado como capital de negócios, cultura e educação. Com uma economia diversificada, próspera e com uma força de trabalho motivada, grandes instituições financeiras globais têm suas sedes aqui.

É também uma cidade com muita atividade cultural, tanto que em 2005, recebeu o título de primeira Cidade de Literatura no mundo, conferido pela UNESCO. Em cada rua, e em cada pedra por onde já passaram grandes romancistas, iluministas e filósofos, a cidade abriga e inspira até hoje a sua sina milenar de resistir, preservar e proteger a boa leitura, honrando sua origem e resistindo aos tempos de informações rápidas e leitura fáceis.

Edimburgo é uma verdadeira ode à literatura. E certamente por isso é palco do Festival Internacional do Livro de Edimburgo, que ocorre durante 17 dias, sempre no mês de agosto, coincidindo com os vários festivais artísticos do verão escocês. Considerado o maior e melhor evento literário do gênero, reúne em torno de 800 autores de cerca de 40 países, recebendo visitantes do mundo inteiro.

E caminhando pela cidade, nos deparamos com várias referências literárias. Na New Town, chega-se a Picardy Place, local onde nasceu Conan Doyle, criador de Sherlock Homes. Na Prince Street, está o famoso Monumento Scott, a maior obra já dedicada a um escritor, Sir Walter Scott. Enfim, andar por suas ruas é um prazer. Há uma fusão de imagens que transborda, desde o seu passado de sólidas tradições, até os dias atuais. A beleza das antigas formas arquitetônicas, as numerosas colinas de onde se obtém as melhores vistas da cidade, os luxuosos salões reais e suas joias de valor inestimável, os pequenos cemitérios medievais espalhados pela cidade, os pátios escondidos das pequenas ruelas, as passagens estreitas e misteriosas, a névoa fina e perolada dos chaminés, presente em cada casa e pequeno edifício, são partes de um todo que compõe esse cenário lindo e merecedor da minha atenção, admiração e dedicação, ao visitá-lo.

Mas Edimburgo não é rica somente em história e literatura, mas também em lendas e fantasmas. Sim, há muitas historias tenebrosas de bruxaria, assassinatos, fenômenos paranormais e aparições espectrais. Inclusive, para quem gosta desse lado mais obscuro, e quer saber o que se esconde debaixo das ruas de Edimburgo, há opções de tour por South Bridge, Mary King’s Close, e outros mais, onde é possível ver criptas e câmaras que eram utilizadas no passado pelos mais pobres, principalmente em tempos de epidemias e pestes. Sem dúvida são lugares lúgubres e escuros, porém poderá ser uma visita muito mais histórica que tenebrosa.  Há também visitas guiadas pelos cemitérios locais.

E por aqui também deixaram sua marca os Kilts, Tartans e o Scotch Whisky.

Enfim, comparto aqui um pouquinho desse lugar fantástico e cheio de histórias para contar. Mas limitei-me a contar-lhes pouco, porque escrevo enquanto espero a chuva amenizar, bebendo um chocolate quente no Starbucks, tendo como companhia a imagem do majestoso e imponente castelo, bem aqui a minha frente, plantado em cima da colina. Uma vista linda. E enquanto espero, tive a graça divina de ver o sol aparecer. Um luxo e honra que nem sempre se pode contemplar, principalmente aqui, em pleno inverno escocês.