Dubai, ame-a ou deixe-a!


Há qualquer coisa de irreal em Dubai. O desenvolvimento e crescimento da mega estrutura urbana, que é Dubai, não envolve. Tão pouco agride. Mas é impossível ficar indiferente diante desse organismo vivo, e para mim, com tão pouca identidade.

A cidade é como uma colagem de enormes edifícios. Uma cultura que em tudo, nos é estranha. Uma metamorfose densa e extensa. Uma gigantesca colmeia urbana, onde tudo é feito para nos tirar o fôlego. Uma cidade que disparou em direção ao futuro, e deixou para trás, em uma nuvem de poeira seu passado, uma pequena localidade de pescadores e apanhadores de pérolas.

Dubai me pareceu meio irreal e futurista. Há momentos em que a cidade se recolhe, e não há ninguém pelas ruas, certamente devido às altas temperaturas - quando estive, junho passado, fazia 48graus -, mas logo se agita e inicia sua marcha apressada.

Do alto do edifício onde estávamos, era possível ter uma percepção mais clara do que é Dubai: Uma sucessão de arranha-céus, rodeados por zonas de casas cor de areia, que se estendem até o mar. E então é possivel entender melhor que esta é uma cidade que foi plantada, onde até pouco tempo atrás, era tudo um deserto.

Dubai é o máximo do artificialismo. Lá se encontram algumas das obras de engenharia mais caras do mundo, como as áreas aterradas, onde antes era mar, por exemplo. E talvez movidos por essa atmosfera de que tudo em Dubai é possível, há quem diga que a cidade é um lugar onde tudo se pode. E há momentos, em que se tem a sensação de que tudo nos é permitido. Mas não é bem assim. Consumir bebida alcoólica em público, é delito grave. Para consumí-la em casa, é necessário possuir um documento específico que permita comprar e fazer uso da bebida. Caso a pessoa não a tenha, e aconteça alguma coisa, como um acidente de carro, por exemplo, irá presa.

Receber um convidado em casa, e consumir álcool, também poderá ser um problema, pois se seu convidado sofrer um acidente de carro, e você não possuir o tal documento, então você será declarado responsável, e não ele. E comer ou beber – aí qualquer tipo de bebida - dentro dos vagões do metro, que são impecáveis e limpíssimos, também é proibido, inclusive nem chiclete é permitido. Dá multa, e bem cara.

Mas caso você queira provar um cappuccino polvilhado com ouro, aí sim, isso pode. Basta que você vá até o topo do Burj al-Arab, o hotel de sete estrelas localizado em uma pequena ilha artificial. E se quiser detonar ainda mais o seu cartão de crédito, e tiver pernas para caminhar quilômetros, então se jogue no maior shopping do mundo, o Dubai Mall, com suas mil e duzentas lojas, quase todas de grife, óbvio. 

E se depois de tudo isso, você ainda tiver folego e dinheiro para gastar, então poderá optar por um filminho para relaxar. Há vinte e duas salas de cinema com poltronas megas confortáveis. Ou então poderá degustar as deliciosas iguarias árabes, em uma das cento e sessenta redes de fast food, ou experimentar um dos cento e vinte restaurantes. Mas se seu negócio não for comer, e sim se divertir, ainda resta visitar a maior pista de patinação de gelo no mundo, ou, para finalizar, o maior aquário do mundo, óbvio, com cerca de trinta e três mil espécies marinhas.  

E durante toda essa maratona, não se preocupe com o idioma, pois isso não será problema. Se você souber o básico em inglês, já está de bom tamanho, pois Dubai é uma cidade muito internacional. Mais de 80% da população é composta por estrangeiros de todas as partes do mundo, e o inglês é amplamente falado. Na verdade, Dubai mais me pareceu uma cidade de passagem, aonde as pessoas vem para dar um tempo, fazer um dinheirinho, ou não, se levarmos em consideração que Dubai é deserto, por isso toda a comida é importada, portanto bem cara. Imagine um aluguel.

E quanto à vestimenta, também não há grandes problemas. Vi muitas mulheres usando roupas curtas, decotadas e inclusive shortinho. Obviamente eram turistas ou moradoras estrangeiras, pois as mulheres locais andam cobertas da cabeça aos pés. De negro, geralmente. E chama atenção, que as famílias são enormes, pois segundo as leis do islã, os homens podem ter várias esposas, portanto uma penca de filhos. Se vê muito pelos shoppings. Sempre há um homem cercado por duas, três, ou até mais mulheres, e várias crianças.

Andar por Dubai é muito seguro, inclusive à noite. Lá não existe morador de rua, tão pouco cachorro abandonado. E não lembro ter visto nenhum cachorro pelas ruas de Dubai. Certamente pelo calor. Os pobrezinhos queimariam as patinhas. Também não há pichações, lixo ou qualquer coisa que possa desviar nossa atenção do luxo e brilho do lugar.  

Enfim, quem visitar Dubai, daqui a seis meses ou daqui a um ano, já verá uma cidade diferente daquela que conheci. E a impressão que fica, é de um lugar que encanta, mas não comove. Que se ama, ou não. Um lugar para se visitar uma única vez, ou voltar a cada ano. Uma cidade que me mostrou que existe coisa que é preciso ser vista, para ser entendida. E que existem sentimentos que precisam ser vividos, para se aprender o valor de se ter para onde voltar.

Quer descobrir Dubai? Então vá ver com seus próprios olhos, porque nada melhor do que poder ter opiniões sobre aquilo que vivemos, e não apenas sobre o que ouvimos contar.