Viajar é preciso! Dar significado, mais ainda...



Com toda a tecnologia que hoje dispomos, comodamente podemos passar do bairro em que vivemos para qualquer outro lugar no planeta bastando apenas um mapa via satélite disponível na internet, um zoom poderoso capaz de transformar um amontoado de pixels em qualquer escala que desejarmos, alguns cliques e pronto: rapidamente podemos visitar uma cidade inteira e conhece-la em detalhes através de imagens e informações vistas a partir do céu. 

Porém nada mais abstrato, nada menos realista. Uma imagem de satélite nos permite perceber uma cidade e toda sua região, mas decompõe-se em múltiplos écrans no momento em que descemos a terra.

Para conhecer, de fato, é preciso deslocar-se fora da tela. É preciso viajar, pois só assim se aprende verdadeiramente a conhecer um lugar. É através da visão subjetiva, personalizada e individualizada que fazemos nossa própria compreensão do lugar. É no somatório das dimensões geográficas, simbólicas, emocionais, culturais, políticas, biológicas e religiosas que criamos uma relação de afetividade com o lugar e lhe damos identidade e significado.

Por isso, a cada viagem que faço procuro observar tudo aquilo que tenha importância no campo simbólico de cada lugar. Observar a arquitetura como arte e as pessoas no seu dia a dia me ajuda a compreender melhor o papel do homem como agente responsável pela formação do ambiente construído ao seu entorno, bem como a complexidade das relações sociais e seus conceitos e valores. São os manifestos da consciência coletiva. É a deliciosa experiência de estarmos juntos trocando ideias e conhecimento a cerca de tudo que resume e caracteriza o lugar.