quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Donal Trump - Um personagem de ideias extremistas!

                                                              


Durante a campanha à presidência dos EUA, o redator de economia do Financial Times, Martin Wolf reproduz muito bem em seu artigo o pavor que a possibilidade da eleição de Donald Trump representava:
 “Às vezes a História dá saltos. Pense na Primeira Guerra Mundial, na revolução bolchevique, na Grande Depressão, na eleição de Adolf Hitler, na Segunda Guerra Mundial, no começo da Guerra Fria, no colapso dos impérios europeus, na reforma e abertura da China por Deng Xiaoping, no colapso da União Soviética, na crise financeira de 2008-2009 e na “grande recessão” subsequente. Podemos estar à beira de um acontecimento tão transformador quantos muitos dos citados: a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Isso representaria o fim do Ocidente sob a liderança norte-americana como força central nos assuntos mundiais. O resultado não seria uma nova ordem, mas uma perigosa desordem.” (Financial Times, 27/09/2016)

E a preocupação se justificava. Donald Trump já se mostrava um personagem de ideias extremistas e com discursos e promessas que seus críticos qualificavam como xenófobas e racistas. E hoje, para muitos deles suas nomeações de governo ratificam essas posições.

O certo é que desde sua campanha, Trump ataca cruelmente o povo mexicano, ameaçando deportar as milhares de pessoas indocumentadas. Propõe a construção de um muro em sua fronteira, instiga e incita as pessoas a temerem e odiarem aqueles que são “diferentes”, denigri as mulheres - sua misoginia não consiste tanto em querer restringir a mulher à esfera doméstica, mas principalmente em querer reduzi-la a um objeto sexual - dos concursos de beleza feminina que organizava aos desastrados comentários que emitiu durante a campanha, fica a imagem de uma misoginia atualizada à medida da sociedade de consumo. E essa semana li no site da Globo que diminuiu em 50% o número de mulheres na Casa Branca. Zombou de deficiente, defendeu abertamente crimes de guerra, entre eles tortura, ameaçou a imprensa, proíbe entrada de refugiados sírios e cidadãos de mais sete países muçulmanos, inclusive os que possuem dupla cidadania ou green card.

Ou seja, em poucos dias arrumou inúmeros conflitos. Porém, não há como negar: Trump conseguiu despertar sentimentos e pensamentos radicais que até então, muitos setores não haviam se atrevido a tornar público. E ele aventurou-se e saiu triunfante. O que mostra obviamente que quando não existe confiança nem liderança política, o povo pode usar de experimentos muito perigosos como, inclusive, abrir a caixa de Pandora, criando um futuro incerto para toda uma nação. Basta ver o exemplo da vizinha Venezuela, que se alimenta de ameaças e faz uso da violência para construir o poder.

Mas o fenômeno Trump, por mais excêntrico, fanfarrão, exibicionista, perigoso, direto e populista que seja, não é algo casual. Se explica dentro de um quadro de crises e descontentamento. E uma coisa é certa: a política dos Estados Unidos vai levar algum tempo ganhando a nossa atenção. Só não sei dizer se isso é bom ou ruim, porém, desde já resulta interessante. Ou seria preocupante?