Envelheça do seu jeito e seja feliz...





Mas afinal, qual é a cara da velhice? São tantas as associações negativas relacionadas à velhice e tantos os estereótipos que refletem ideias errôneas, prejudicando e gerando uma imagem distorcida sobre ela, que quando vemos imagens como essa, a primeira coisa a que nos remete é a falta de noção.

Mas a velhice como quase tudo na vida é experiência individual que pode ser vivenciada de forma positiva, e não obrigatoriamente precisa estar em consonância com a representação de velhice que ainda está enraizada na sociedade em que vivemos.

Uma sociedade de consumo na qual apenas o novo pode ser valorizado, caso contrário não existe produção e acumulação de capital. E nesta dura realidade o velho passa a ser ultrapassado, descartado e fora de moda - e quando tenta estar na moda é rapidamente taxado de ridículo. 

Mas então, qual seria a idade da velhice? Eu, aos 54 anos me considero jovem, pois acredito que ao envelhecer mantenhamos nossas dimensões de personalidade, aquelas que tecemos ao longo de toda a nossa vida, ou seja, é o tratamento dado aos anos o que nos torna diferentes e faz com que possamos escolher como envelhecer. Por isso determinar o início da velhice pode ser uma tarefa complexa, porque é difícil a generalização em relação a ela, já que existem distinções significativas entre diferentes tipos de idosos e velhices.

Conheço muitas mulheres na faixa dos 60 que são lindas, atuantes, desejáveis, descoladas e muito, mas muito alegres. Por isso penso que a idade cronológica refere-se somente ao número de anos que tem decorrido desde o nosso nascimento e que as divisões cronológicas da vida do ser humano não são absolutas, por isso a velhice não é definida por simples cronologia, mas pelas condições físicas, funcionais, mentais e de saúde da pessoa.

Idade é uma categoria embutida dentro dela mesma, discutível e obsoleta em que a velhice nada mais é do que uma construção social, onde o preconceito continua florescendo. Portanto o importante é ser quem se é. Usar o que se gosta e esquecer a opinião do outro, até porque nunca vamos agradar a todos.

A boa notícia é que a sociedade contemporânea gradualmente vem se flexibilizando com relação ao vestuário dos idosos e assim ganhando espaço frente à rigidez, o que permite que essa “modernidade” promova uma certa liberdade no espírito, deixando para trás o lastro das nítidas identificações tradicionais possibilitando a todas nós uma imagem mais livre, leve e com mais frescor.

Ao longo do tempo a imagem da mulher ao envelhecer vem se equilibrando entre as regras tradicionais e os modelos recentemente inaugurados. Não queremos mais nos resumir à condição de avó, nos moldes de vida chamado de “terceira idade” que induz a mulher automaticamente a ocupar velhos espaços e mudar de atitude frente à vida.

Portanto o importante é estar bem e feliz consigo mesma, ainda que aos olhos dos outros possamos parecer ridículas ou até mesmo vulgares, pois isso não passa de inveja ou falta de personalidade para assumir-se como se é ou se gostaria de ser, mas que não o faz porque não consegue romper com os velhos padrões.

Amo mulheres descoladas, livres e sem preconceito. E o mundo já está cheio de gente chata, engessada e cheia de valores equivocados.