“A minha pátria é a língua portuguesa”. Fernando Pessoa

                                                             Imagem: Google

Recentemente na França descobri que a palavra “étranger” possui duplo sentido, pois tanto pode ser usada para “estrangeiro” como também para “estranho”, o que é certo, já que o estrangeiro é antes de tudo um estranho, um "intruso". Um “estar no mundo”, “entre mundos”. É aquele que se situa na fronteira. O fora do dentro. 


Hoje ainda insisto em escrever e falar português em um país de idioma espanhol. Sou uma estrangeira, e como tal ainda me sinto um pouco partida entre culturas, idioma, costumes e tantas outras coisas. Mas, como diz Pessoa, "a minha pátria é a língua portuguesa", então posso me sentir em casa em qualquer lugar, até porque meu lar sou eu, e o carrego para onde for.

Inquilina desse "hermoso" país, aos poucos vou me identificando e perdendo as referências do que conhecia como segurança e estabilidade, pois quem opta pela vida estrangeira sabe que é preciso gostar do "estranhamento".

Mudar de país significa, entre outras coisas, perder a referência de tudo aquilo que nos dá identidade e reconhecimento, ou seja, dar significados diferentes a tudo o que era familiar.