Guerra - Degradação e derrota para todos!



A guerra é a degradação do homem. A consequência da interrupção da comunicação entre eles. É a derrota para todos.

                                                     Imagem: Google


Heródoto entendia que para compreendermos e descrevermos melhor o mundo, fazia falta que viajássemos, deixássemos temporariamente nossa terra e conhecêssemos outras pessoas que nos “contassem” suas histórias.

Heródoto não descrevia o mundo como faziam os filósofos pré-socráticos, partindo de seu próprio pensamento, somente contava o que havia visto e ouvido em suas viagens. Sua filosofia consistia em que é necessário viajar e descobrir novas histórias. Estava convencido de que as culturas se misturam e que, inclusive quando há um conflito não há por que ser um aniquilamento.

Heródoto polemizava com seus compatriotas, demonstrava e provava, por exemplo, que os gregos sem a cultura egípcia nada seriam, pois nenhuma civilização existe de forma isolada. Há uma interação constante.

Em seus textos não há palavra de ódio. Não há termos como inimigo ou aniquilamento. Ele escolhia palavras dramáticas somente para mostrar a desgraça humana dentro do conflito. Seu interesse era somente destacar as razões das duas partes, e não julgar, dando assim aos seus leitores as faculdades e os materiais necessários para formar sua própria opinião.  

De Heródoto eu pouco sabia, até uma aula de História muitos anos atrás. Foi quando conheci sua obra e descobri que guerra é o conflito entre democracia e  ditadura, onde homens livres estão dispostos a dar a própria vida para conservar sua liberdade.

Recentemente voltei a viajar pela Europa e Ásia e inevitavelmente lembrei de Heródoto. Talvez seu nome tenha surgido na esperança de encontrar uma perspectiva mais ampla e elaborada para meu questionamento: Por que se faz a guerra?


A verdade é que cada um mostra a guerra e suas consequências como lhe convém e para seus fins. Até aí nada de novo, tudo sempre foi manipulado mesmo! A mídia até tenta contar os fatos de maneira objetiva, mas muitas vezes as notícias são distorcidas completamente por razões políticas ou de conveniência - quando a verdade passa a ser mais uma vítima da guerra.

Quando inicia um conflito o que interessa não são as notícias, e sim seus efeitos psicológicos. Os meios que selecionam as notícias, e as manipulam, sabem que tudo ocorre debaixo do olhar das câmeras de televisão e viajam através da velocidade das redes e internet. Sendo assim, todo mundo pode se sentir envolvido emocionalmente,  e em qualquer ponto do planeta.

E o mundo é imenso. Feito de linguagem diferente, rostos, cores, costumes, tradições, raças, credos e uma infinidade de outras coisas que, por desgraça, não é possível descrever com números e dados.


O que sei é que minha viagem se converteu em uma forma de unir a linguagem rápida da informação com a linguagem reflexiva. Estive verdadeiramente naqueles lugares. Vi e ouvi tudo o que acontecia ao me redor. Vivi muitas situações, algumas boas, outras nem tanto, às vezes, inclusive com risco.

E regressei dessa viagem com um material riquíssimo - alguns registrados em minha mente e outros na máquina fotográfica -, que me permite, em minha casa, com a calma que necessito, tentar entender o que se passa no mundo.

Para mim ficou evidente a ineficiência na gestão do controle, fluxo  e integração de pessoas. O espaço europeu está cada vez mais globalizado e os problemas se multiplicam além do social, econômico e cultural. A crescente complexidade em torno desse assunto me mostra que será preciso muito esforço, recursos, empenho, flexibilidade, determinação, liderança e visão por parte dos políticos para que seja possível alcançar maior sucesso na resolução desse grande quebra-cabeça, chamado imigração - ainda que estes atributos sejam raros e preciosos, certamente estarão ao alcance de países democráticos e avançados.

Portanto é urgente que reconheçam e conheçam quem têm e quem vem à procura de abrigo, evitando assim a proliferação de máfias e de angariadores de dinheiro através de mulheres e crianças nas ruas, um negócio crescente, com base nessas massas humanas, situação essa que é um atentado aos direitos humanos.

Por isso é emergencial que aprendamos a o olhar o Outro, não só no sentido crítico, mas com a perspectiva de que ele cada vez mais integra o nosso dia-a-dia.

E não esqueçamos: Num mundo onde somos nós mesmos, simultaneamente o outro, não passamos de elementos de uma cadeia humana dinâmica, onde é urgente a promoção para o desenvolvimento.