Uma extraordinária mulher...

                                                       



Irena Sendler, praticamente desconhecida fora da Polônia, e reconhecida em seu país, por alguns poucos historiadores, é hoje minha inspiração como homenagem ao dia das mães.

A história de Irena começa a ser reconhecida em 1999, quando um grupo de alunos de uma escola no interior do Kansas,USA, inicia um trabalho sobre os heróis do holocausto, e descobrem que Irena havia salvado cerca de dois mil e quinhentos meninos.
Supondo que já estivesse morta, passam então a buscar pelo local de seu sepultamento, o que acaba culminando em uma grande surpresa ao descobrirem que Irena ainda estava viva.

Em 1939, quando a Alemanha invade o país, e Irena vai trabalhar como enfermeira no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia, começa então a se interar da real situação em que viviam as famílias judias. Ela segue no mesmo trabalho até 1942, quando une-se ao Conselho para Ajuda aos Judeus. 

Imediatamente consegue identificação da Oficina Sanitária, e passa a trabalhar no controle de doenças infecciosas, o que vem bem aos seus propósitos, pois os alemães com medo de que se desencadeasse uma epidemia de tifo, prontamente aceitam que os poloneses controlem o local. Irena passa então a procurar as famílias judias, e se oferece para levar os meninos para fora do gueto.

Foi quando surgiu a ideia de criar um arquivo onde registrava o nome de cada menino, e sua nova identidade. Escrevia em pequeninos pedaços de papel que guardava dentro de vidros de compotas, que enterrava cuidadosamente aos pés de uma macieira no jardim de seu vizinho.

Mas em 20 de outubro de 1943, Irena é levada a prisão pela Gestapo, e lá é brutalmente torturada. Quebram-lhe os pés e pernas, mas não conseguem faze-la falar. É condenada a morte, mas sua sentença nunca se cumpriu, pois a caminho de sua execução um soldado a deixa escapar.

Com o término da guerra, Irena desenterra os vidros de conserva e vai atrás de seus 2.500 meninos e suas famílias adotivas. Aos poucos os devolve, um a um, a suas famílias de origem - alguns não tiveram a mesma sorte, seus familiares haviam sido mortos em campos de concentração.

Sobre Irena, os meninos salvos só conheciam seu apelido: Jolanta. Anos mais tarde, quando sua historia foi contada e suas imagens da época foram divulgadas, só então algumas pessoas a reconheceram. 

Irena viveu muitos anos em uma cadeira de rodas. Nunca se considerou uma heroína, tão pouco reivindicou créditos por suas ações, ao contrário, sempre disse que poderia ter feito mais.

Irena em silêncio fez a diferença. Cumpriu com coragem e amor sua missão. Uma verdadeira mãe para todos esses meninos.