Eu sou aquela...






Eu sou aquela cuja imaginação expurga os mistérios da vida, que encarna o rebelde, o indomável, o instintivo.
Aquela que desnuda seu corpo, sofre e se deleita.

Eu sou aquela que anda pelo terreno do irracional, caminha sobre brasas, e ainda sorri.
Aquela que escuta o som dos ventos, cultua o sagrado, e tudo o que rege o universo.

Eu sou aquela que segue a natureza de seus ensinamentos, habita o subterrâneo selvagem, e o fogo interior, cuja chama só cresce.
Aquela solitária por escolha, porque assim atribuo liberdade ao meu caminhar.

Eu sou aquela que possui a esperteza das lobas, 
corre entre elas, mas sobrevive sem sua matilha.
Aquela cuja amiga é a lua, dança na terra fértil e chafurda na lama.

Eu sou aquela que caminha diante do espelho,
grita, sussurra e vai até os ossos.
Aquela que busca o prazer na alegria de perambular, 
se maravilhar, escrever, cantar e criar. 

Eu sou aquela que caminha sobre a senda mística, 
viaja pelos céus, vêm com as tempestades 
e vai com um leve sopro de vento.
Aquela quando o coração é tocado, os pés logo se agitam para dançar.

Eu sou aquela que habita no vendaval, corre, toca, e é tocada.
Aquela em que tudo cresce e floresce, mas não reside no ir, ou no ficar.

Eu sou aquela que sobrevive a ausência, mas não ao trecho de uma canção.
Aquela que se debruça sobre os mapas, e descobre que essencial é qualquer lugar que a faça feliz.

Eu sou aquela que agora abre as portas mais secretas e vai pedindo força, e chamando a luz.
Aquela que reza por mim, por nós e todos nós. 
Desde a virgem descalça, a atração vulgar de uma esquina qualquer.

Eu sou aquela que toca o tambor impulsionando todos os sentidos e significados.
Aquela que fecunda, acolhe e aprende a repartir o pão nosso de cada dia.

Eu sou aquela que na diversidade dos saberes
descobre-se sempre aprendiz.
Aquela que tece a vida a cada dia, sempre com a possibilidade de sonhos possíveis.

Eu sou aquela que na extraordinária complexidade da vida, no misterioso movimento que faz, reencontro a mulher perdida e recupero a pequena menina.
Aquela que no agora vislumbra um rumo e vai aprendendo a ser mais. Sempre mais.