sábado, 7 de junho de 2014

Para Giada!

                                       
Desde cedo percebi que você não era o tipo de criança que se esconde atrás das pernas da mamãe, ao menor sinal de perigo. Ao contrário. 
Você sempre foi uma menina destemida, coisa que seu olhar cheio de inquietude e curiosidade já revelava.

Mas o tempo foi passando. E com esse mesmo olhar atento e curioso você compreendeu que com o auxílio de seu corpo, voz e criatividade poderias desempenhar inúmeros papéis. E foi o que você fez.   Criou seus personagens e viveu suas fábulas no fantástico Mundo do Faz de Contas. E lembro bem. Já naquele tempo seus personagens eram bem elaborados, constituídos de uma grande carga de sentimentos, recordações, saudades, medos e alegrias. E sua interpretação me surpreendia, pois suas falas e gestos eram sempre carregados de muita emoção.

E foi ali Giada, em seu pequeno palco que você passou a descobrir que todas aquelas expressões  te fascinavam - talvez até mais que a dança e a música. Então foste em busca de um diálogo maior, pois sabias que para alcançar o sucesso é preciso um trabalho minucioso, muito empenho e boa vontade.  
E são muitos os passos para se chegar em cena com um verdadeiro estado “criador”. Não há fórmula pronta para interpretar ou criar. É preciso aprender a aliar técnica a talento para adquirir um conhecimento maior de si mesma, seja físico, sensorial ou emocional.  

Acredito que o teatro te dará uma percepção melhor do mundo e te ajudará a promover seu autoconhecimento e autoconfiança.  E isso sem contar que vais desenvolver ainda mais a sua criatividade individual, bem como o respeito pela criatividade e individualidade de seus companheiros. Mas principalmente Giada, o teatro te ajudará a desenvolver suas habilidades ainda adormecidas, estimulando a imaginação e ajudando na organização dos seus pensamentos diante da vida.  

Eu realmente me sinto orgulhosa de acompanhar sua trajetória, sua paixão e envolvimento pelo mundo das artes, e não só a cênica. E seguir seus passos, mesmo que à distância é motivo de muita alegria e satisfação. Junto de seus pais pude acompanhá-la desde o começo, passando por todo seu processo criativo. Lembro de suas inúmeras narrativas em frente ao espelho, as danças loucas e frenéticas diante da câmera ou quando nos transformava em platéia.

Enfim, Giadinha tudo isso é para te dizer o que já sabes, mas que é sempre bom relembrar. Sua família foi seu primeiro ponto de apoio para a criação desse belíssimo cenário de fantasia e realidade que tem sido sua vidinha até então. E agora vemos a nossa menina, que até a pouco ainda brincava com suas bonecas, já explorando as diversas possibilidades das vivências de ser menina-mulher.

E lembre-se: A palavra "teatro" deriva dos verbos gregos "ver, enxergar", lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Portanto, aconteça o que acontecer, nenhuma apresentação deverá ser vista como a “apresentação final” já que existem muitas formas de “ser e estar“ não só nas artes, mas na vida, principalmente.
E sei que seu caminho será lindo como uma fábula, doce como seu sorriso e feliz como a criança que habita em você!