Para Giada!

                                       
Desde cedo percebi que você não era o tipo de criança que se esconde atrás das pernas da mamãe, ao menor sinal de perigo. Ao contrário. Você sempre foi uma menina destemida, coisa que seu olhar cheio de inquietude e curiosidade, já revelava.

Mas o tempo foi passando, e com esse mesmo olhar atento e curioso você compreendeu que com o auxílio de seu corpo, aliado a sua voz, e a sua criatividade nata, poderias desempenhar inúmeros papéis. E foi o que fez. Criou seus personagens e viveu suas fábulas, no fantástico Mundo do Faz-de-Contas. 

E me lembro bem. Já naquele tempo seus personagens eram bem elaborados e constituídos de uma grande carga de sentimentos, recordações, saudades, medos e alegrias. E sua interpretação sempre me surpreendia, pois suas falas e gestos eram sempre carregados de muita emoção.

E foi ali, Giada, em seu pequeno palco que você passou a descobrir que todas aquelas expressões te fascinavam, talvez até mais que a dança e a música. Então você foi em busca de um diálogo maior, pois sabia que para alcançar o sucesso, é preciso um trabalho minucioso, muito empenho e boa vontade.  

E você sabe que são muitos os passos para se chegar em cena, com um verdadeiro estado “criador”. E que não há fórmula pronta para interpretar ou criar. É preciso saber aliar técnica, a talento, para adquirir um conhecimento maior de si mesma, seja físico, sensorial ou emocional.  

Acredito que o teatro dará a você uma percepção melhor do mundo, e ajudará a promover ainda mais o seu autoconhecimento e a autoconfiança necessária para desenvolver suas habilidades ainda adormecidas, estimulando a imaginação e  desenvolvendo ainda mais a sua criatividade individual, bem como o respeito pela criatividade e individualidade de seus companheiros. 

Eu me sinto orgulhosa de acompanhar sua trajetória, sua paixão e envolvimento pelo mundo das artes. E seguir seus passos, mesmo que à distância, é motivo de muita alegria e satisfação. Junto de seus pais pude acompanhá-la desde o começo, passando por todo seu processo criativo. Lembro de suas inúmeras narrativas em frente ao espelho, as danças loucas e frenéticas diante da câmera, ou quando nos transformava em plateia, exigindo a nossa atenção.

Enfim, Giadinha, tudo isso é para te dizer o que você já sabe, mas que é sempre bom relembrar: Sua família foi seu primeiro ponto de apoio, para a criação desse belíssimo cenário de fantasia e realidade, que tem sido sua vidinha até então. E agora vemos a nossa menina, que a pouco ainda brincava com suas bonecas, já explorando as diversas possibilidades das vivências de ser menina-mulher.

E lembre-se: A palavra "teatro", deriva dos verbos gregos "ver e enxergar", lugar de ver, ver o mundo, se ver no mundo, se perceber, perceber o outro e a sua relação com o outro. Portanto aconteça o que acontecer, nenhuma apresentação deverá ser vista como a “apresentação final”, já que existem muitas formas de “ser e estar“, não só nas artes, mas na vida, principalmente.
E sei que seu caminho será lindo como uma fábula, doce como seu sorriso, e feliz como a criança que habita em você!