segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que faz a diferença?


                                                                 


Recentemente li uma matéria que sugere que o cavalheirismo é apenas uma forma disfarçada de machismo, ou seja, uma estratégia de manutenção a suposta “superioridade masculina”, e teria encoberta a função de ritualizar a imagem social da mulher como submissa e dependente.

De imediato pensei: E daí, já se foi o tempo em que deveríamos considerar como qualidade marcante ou essencial o fato do homem abrir a porta do carro, encarregar-se de pagar a conta no jantar, levar nossas bolsas e sacolas ou simplesmente nos oferecer o braço para atravessarmos a rua com maior segurança, porque na verdade não é isso que verdadeiramente importa.

Mulheres modernas sabem que cavalheirismo não passa de um desejo mitificado, e que a verdadeira noção de cavalheirismo reside num contexto geral, e não somente numa regra social de boa conduta e bons modos.

Mas aí você deve estar pensando: Mas esses gestos são bacanas, não são? Sim, mas não tão importantes diante tantas outras coisas. É como disse a socióloga Tica Moreno: “Cavalheirismo acontece em espaço público, já a violência no privado”. Ou seja, não adianta o cara ser todo gentil na frente dos outros, cobrindo uma poça d’água para a mocinha passar se depois, a quatro paredes desce o pau, revelando assim seu verdadeiro caráter e intenção.

Penso que o verdadeiro cavalheirismo reside na reciprocidade, que é a sensibilidade de quem sabe perceber o outro e ficar atento o dia inteiro sem esforços e malabarismos. O que para mim é absolutamente essencial, pois com ela aprendemos a manejar lenta e gradualmente a busca pelo equilíbrio e felicidade nas nossas relações.
O que não se aplica somente a vida afetiva e pessoal, mas na profissional também.