Por um espírito essencialmente livre!

                                                                Imagem: Google


Se for verdade o que se prega, que a cada um lhe cabe carregar sua própria cruz, então naquele momento eu me libertava da minha, onde muito tempo me senti crucificada, tal qual a imagem impotente e torturada. 

E se mais uma vez, o que se prega é verdadeiro, diriam então tratar-se de "Punição Divina". E merecida, certamente!

Mas não gosto de pensar em punição. Essa é uma palavra que quando aplicada a um evento desagradável ou doloroso torna-se uma expressão infeliz, sugerindo que as dificuldades e sofrimentos sejam apenas castigos. E dizer que cada dificuldade que ocorre é justa e merecida, é no mínimo maldosa e equivocada.

Acredito que erros devam ser corrigidos, não castigados. E punição a meu ver sugere uma coisa extremamente autoritária e impiedosa. E nisso eu não acredito. E vou além: Ao longo de minha vida sempre olhei com desconfiança para as “verdades” que me foram apresentadas. 

Todas sempre me pareceram trágicas, dramáticas e controladoras, visto que usar da vulnerabilidade é fácil. E também não gosto da simbologia. Não gosto de ter que carregar a culpa por um Cristo crucificado. É pesado demais.

Penso que qualquer coisa construída sob o frágil terreno da obediência cega somente atrapalhe toda e qualquer evolução. Que a lei do equilíbrio e justiça nada tem a ver com pecado, culpa ou castigo. Tão pouco céu ou inferno. E me nego a acreditar que Deus ou qualquer outro Ser Supremo queira vingar-se das pessoas somente porque o desagradam. E me incomoda profundamente a sensação de estar sujeita a controle ou punição por parte de “alguém”.

Não tenho uma crença definida, confesso, mas tenho fé. Creio em uma força divina, multiplicadora e mediadora entre os homens. Creio em uma religiosidade e espiritualidade naturalmente capaz de aceitar que somos imperfeitos e falhos. Creio em uma energia transformadora capaz de modificar nossos atos e educar nosso caráter, sem que para isso seja preciso nos jogar na fogueira de suas vaidades ou verdades. Creio que sejamos semeadores, que plantemos todos os dias, porém, acredito acima de tudo que, quem busca sabedoria deve semear sua terra com amor, equilíbrio e justiça, porque um dia essas sementes irão germinar e frutificar.

Portanto, penso que a mera punição não liberta, assim como a dor por si só não faz crescer, mas a aprendizagem, a ação correta, a capacidade de projetar significados às adversidades, sim.

Acredito e tenho fé na vida, quando vivida de modo virtuoso e correto, seguindo um código de conduta espontâneo sem precisar fazer uso de qualquer mandamento, livro, blíblia ou cartilha, tão pouco contar com a benevolência divina para salvar-nos do fogo do inferno, porque aqui somos os únicos responsáveis pela ordem e rumo de nossas vidas.