Liberdade educa ou a educação liberta?


                                                               
Hoje lembrei-me de um fato ocorrido a mais ou menos dois anos atrás, e gostaria de compartilhar com vocês. Quando me contaram eu quase não acreditei, mas o fato é verídico, e ocorreu dentro de um grande supemercado no interior do Rio Grande do Sul, e segue mais ou menos assim:

Um senhor de meia idade, esperava pacientemente na longa fila para o atendimento no caixa. Enquanto aguardava, de repente sente suas canelas atingidas pelo vai e vêm do carrinho de trás. Ele vira-se, dá uma rápida olhada e volta a observar o andamento no caixa. Mas passado alguns segundos, é atingido novamente.

O autor de tal “brincadeira”, era um menino de no máximo, uns oito anos de idade, que certamente entediado com a espera, resolve usar as canelas do pobre homem como alvo de seu passatempo.

Indignado, o senhor então vira-se e educadamente pede que o menino mantenho o carrinho longe de seus pés. Na certeza de que seria prontamente atendido, ele retoma seu lugar e segue esperando. Só não contava que a mãe do menino saísse em defesa de seu pimpolho, que furiosa gritou: "Meu filho é só uma criança. E saiba o senhor, que eu o educo com liberdade!" 

O senhor surpreendido com a reação da mãe, nada responde, apenas segue esperando. T
odos em volta apenas observam, e quando já pensavam que a resignação do senhor poria fim ao espetáculo, surge então um novo personagem. 

Um jovem que também aguardava na fila, e estava logo atrás do menino e sua mãe. Visivelmente irritado com a agressão as canelas alheias, e indignado com a descabida resposta dada pela senhora, prontamente o jovem abre a caixa de ovos que levava em seu carrinho, retira um ovo, e com toda calma o quebra em cima da vasta cabeleira platinada e escovada da mãe do menino.

Enlouquecida ela vira-se e grita: " Você está louco?" O rapaz tranquilo e sereno responde: " Não. Ocorre que minha mãe também me educou com liberdade!"

Todos em volta aplaudem enquanto mãe e filho abandonam carrinho, compras e fogem em disparada.  

E me imagino que uma pergunta seguramente ficou no ar: A liberdade nos dá o direito de cometer tais absurdos? Certamente não. Com certeza essa senhora não foi informada que para praticar a liberdade, é preciso de educação. E muita. Que liberdade é um direito de todos, mas não é absoluta. Que ser verdadeiramente livre é reconhecer que há limites no próprio exercício da liberdade, e nesse caso, exerce-la não implica no direito de fazer e dizer tudo o que lhe vêm à cabeça.