segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Pietá que vive dentro de todas nós, mães e mulheres!

                         Imagem: Samuel Aranda


Tempos atrás, a imagem acima circulou em vários canais de tv, internet, ou seja, rodou o mundo e foi muito comentada. E agora ressurge na mídia como a foto premiada pelo World Press Photo/2011. Sem dúvida é uma bela foto, pena que tenha saído de um contexto tão ruim.

Alguns anos atrás tive o prazer de conhecer a Pietá de Michelangelo. Como não poderia deixar de ser, fiquei bastante emocionada com tamanha beleza e perfeição. Michelangelo conseguiu expressar de forma delicada e singela a pior tragédia que pode ocorrer a uma mãe: ter nos braços o corpo do filho sem vida. 
Ocorre que, assim que a vi a foto premiada, automaticamente lembrei-me da Pietá de Michelangelo, pois foi inevitável não fazer comparações, já que elas se assemelham em vários aspectos.

Assim como a Virgem Maria que ampara seu filho morto nos braços, a foto mostra uma mulher muçulmana que ampara um homem ferido após violento protesto no Iêmen. 
E não importa quem ele seja. Pode ser seu filho, um familiar ou até mesmo um desconhecido qualquer, porque mesmo assim, ainda será filho de alguém. 

Ambas as imagens resultam de dor e violência. Ambas retratam mulheres absorvidas por um desespero profundo e silencioso. Um pouco de todas nós, mães e mulheres que acolhemos nossos filhos no aconchego e proteção de nossos braços todos os dias. 

A foto premiada me emociona e me inquieta por sua força, pois apesar da invisibilidade de seu rosto, ainda assim consigo sentir sua emoção, compaixão e impotência diante do horror ao abraçar aquele corpo ferido e talvez sem vida. 

Uma desconhecida, uma mulher sem nome, sem identidade, mas que o mundo conheceu através das lentes do fotógrafo Samuel Aranda, transformando-a em mais um importante testemunho de até onde o homem pode chegar.

Talvez você se pergunte o por que desse assunto, já que as noticias em torno dessa imagem já caíram no esquecimento. Mas talvez seja exatamente esse o motivo, ou seja, não dá para esquecer quando homens, mulheres e crianças viram números de estatísticas. Quando séculos se passam e as cenas se repetem. Quando ódio, ganância, intolerância e desrespeito transformam-se no combustível que gera a desgraça, os conflitos intermináveis, as guerras bestiais e as matanças impiedosas.

Infelizmente os que se foram não podem voltar, muito menos ressuscitar, pois isso é coisa para o filho de uma Maria só. Para nós, simples mortais só nos resta seguir em frente, aprendendo a lidar com a dor, sem deixar que ela nos sufoque.

A Pietá do Iêmen mexeu comigo! É triste ver famílias chorando seus mortos, mas pior é testemunhar a dor de uma mãe ao ter seu filho morto nos braços.